quinta-feira, 28 de abril de 2011

3 meses - grande, pesado e em pico de crescimento

Percebi que o Diogo tava entrando num pico de crescimento esses dias, quando meu mamilo começou a estrilar. Voltei pra pomadinha santa (Lanidrat - cara e eficiente) dos áureos dias de Recém Nascido. Lá me meti a procurar - de novo - artigos sérios e completos sobre o tema e - de novo - não achei o que procurava.
Mas já decorei o que significa pico de crescimento, mesmo que superficialmente. Significa que meu filho, além de estar crescendo fisicamente, está ganhando mais conhecimento, aprendendo coisas novas, e que o cansaço que isso traz provoca irritação e uma fome insaciável.
Ele, que sempre (mais ou menos, vai) foi reguladinho com os horários de mamada (a cada 2h30, 3 horas), agora pede o peito toda hora. Mama menos tempo por vez, e mais vezes ao dia. Começou há 2 dias... e a coisa pode levar de 3 dias a uma semana.
A irritação vem com o pacote, e o pequeno anda chorão que só.
O que ele aprendeu? Ainda não sei se vem mais coisa por aí, mas ele anda enfiando a mão na boca. E o que ele não aprendeu? A não enfiar a mão com tanta força, já que provoca ânsia de vômito. Tonto. rs
Ontem foi dia de consulta na pediatra - ela vai rodar, e eu já explico o motivo. Um dia antes de fazer 3 meses. Altura: 58,5cm; Peso: 5,620Kg. Uhum... passou o marco do saco de arroz.
Tendo em vista sua agitação habitual - desde os 2 meses não completos Diogo é um bebê atento e que sabe o que quer. Se agita todo quando quer colo até alguém pegar, ou então chora. E chora muito alto. -, não me preocupei de vê-lo fazendo arte na cama de exames e brinquei: tá ligado no 220v. A chata da médica lançou: não fala isso... não pode falar coisas negativas sobre o bebê. Mas quem tava falando alguma coisa negativa ali? E emendou: na minha época, era malcriado, hoje as mães de bebês de 3 meses chegam aqui perguntando se não é hiperativo!
Calmalá! Eu não falei isso!!! Eu falei q o menino tava cheio de energia! Pudera, era o horário dele de ficar acordado mesmo!!! Mas para ela, eu estava botando uma carga negativa na criança.
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Aí, depois de examinar, virar pra cá e pra lá, veste. Aham... ele odeia vestir roupa. O-DE-IA. Passou quase o primeiro mês de vida só de fraldas, porque o calor era insuportável. Não tem Cristo que o faça deixar os braços moles na hora de vestir a roupa. E eu que, em casa, costumo vestir o que dá pela parte de baixo do corpo, no consultório tenho de fazer do jeito dela. E ele fica emputecido.
E aí vem a sabatina que eu detesto, e que me faz sair do consultório me achando uma #mãedemerda, uma imbecil que lê um monte de coisas à toa, e que não sabe nada de ser mãe.
Mandamentos da pediatra:
- não embalar o bebê para dormir;
- não usar carrinho, cadeirinha, bebê conforto, cama (nem pensar!!!);
- só usar o berço o tempo todo;
- dormir, a qualquer hora, só no berço;
- o bebê precisa aprender a dormir sozinho;
- só dar o peito a cada 3 horas: 6h, 9h, 12h, 15h, 18h, 21h e 24h. Às 3h ele não mama mesmo, então se acordar UM DIA, não pode dar;
- dar o banho matinal às 7h45, 8h sair para o banho de sol (oi? Sair? Precisa mesmo?);
- dar o banho vespertino às 17h45, depois do rolê às 16h;
(pausa para comentar os dois últimos: Diogo dorme às 8h da manhã, depois do banho; de tarde, 16h, mama e dorme. Vou sair com ele dormindo pra quê?)
- não pode brincar com o bebê porque estimula demais. Tem que deixar de barriga pra baixo no berço, com qualquer coisa colorida na frente dele, para ele exercitar os músculos cervicais;
- falar com o bebê SÓ na hora do banho e da troca de fralda/roupa;
- não pegar no colo e não deixar que ninguém pegue;
- amamentar em lugar ermo - no quarto, na poltrona, sem tv, sem música, sem nada que chame a atenção do pequeno.
Entre outras coisas, gente.
Aí eu pergunto: eu não tenho vida social, né? Eu não posso ir na casa da minha mãe, jantar fora, visitar amigos, comprar calcinha. Se eu fizer isso que ela quer, ele não dorme mais em lugar nenhum porque não tem o berço dele... e aí eu deixo ele chorar de sono ou vou embora logo pra casa.
Se eu não der banho SEMPRE no mesmo horário, e nos horários que ela quer, ele vai chorar e espernear. E olha... o banho da manhã eu procuro dar sempre às 8h, 8 e pouco. Mas o da noite, nunca vai ser antes das 18h. Ele dorme de tarde. Ah! Ela quer que ele fique acordado das 15h às 18h. Mas se ele tem q ficar no berço, como vai saber se é para dormir ou ficar acordado?
Aí vc me pergunta: tá fazendo o que com ela ainda?
E eu respondo: não achei nada melhor ainda!
Os médicos são cheios de enfiar antibiótico goela abaixo dos nossos pequenos, e eu não quero isso pro Diogo. E ela é homeopata. E dá o número do celular. E atende a qualquer hora.
Segunda temos consulta com outra médica. Se ela der o celular, babau para a Dra Doida aí (não vou falar o nome porque tem quem goste, né).
Junte a todos os problemas com um bebê pequeno o fato de Dioguito estar há 5 dias sem fazer o número dois. Ele só mama no peito, não tem porque ter prisão de ventre. A não ser o fato de ele estar passando pelo pico de crescimento, que é quando o organismo tira do leite TUDO o que pode, e diminui a quantidade de dejetos. Pobrema é que ele fica mais azedo ainda.
E antes que alguma chata de plantão venha falar que se é para reclamar era melhor não ter filho, vou logo mandando praquele lugar, tá?
Desabafos à parte, meu filho tá excelente.
- Cabelos crescendo cada dia mais;
- Adora tv, a parede do quarto (decorada pela mamãe e pelo papai - todo esforço valeu a pena), brinquedos coloridos e caretas da mamãe;
- Sorri com a boca, os olhos, o nariz... muda de expressão o tempo todo e imita os movimentos que faço com o rosto;
- Às vezes parece mais viciado na maledeta chupeta, mas logo em seguida a dispensa para poder "conversar";
- Está mais tranquilo no banho, ri para a estampa da banheira, para os shampoos na prateleira e para o azulejo branco (ou para qualquer outra coisa que veja por lá);
- Anda fazendo força (em vão) para levantar/sustentar o cabeção de 10 toneladas, mas quando seguramos seus punhos, faz força e se levanta - e fica de pé (por pouco tempo, porque eu já boto ele no colo e deito, tá mto cedo para isso).
Só ando torcendo para ele começar a segurar seus brinquedos, assim pode ter um pouco mais de independência e, quem sabe, ficará um pouco mais de tempo sem precisar que eu o acompanhe. Afinal, eu preciso comer, ir ao banheiro e tomar banho, além de cuidar da casa, né?
3 meses hoje. 3 meses com ele nos braços, 3 meses a menos com ele em casa. Oh, vida!
Beijocas, meninas
PS: Olhem as fotos!


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Peeeega, filho!

Hoje (agorinha mesmo) o Diogo fez menção de pegar o leão. É um leão de pelúcia super simples, com uma bola de acrílico cheia de bolinhas na barriga. E se você roda as bolinhas... bom, é um chocalho.
Há umas duas ou três semanas ele pegou gosto pelo leão. Cada vez que o bedito tá por perto, ocorre uma sessão de lindos sorrisos abertos.
Ele, pequenininho, ainda não sabe pegar as coisas. Assim, colocar a mão, fechar e segurar.
Mas tá começando a dar sianis de que logo vai segurar algo. E eu acho que o leão, apesar do tamanho, vai ser o escolhido.
Sim... ele deu um tapão na bola, e quando percebeu o efeito sonoro, logo deu mais três tapinhas... e quando eu peguei a câmera ele parou. E ficou rindo pra lente. Eu mereço um filho modelo?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Páscoa - renascimento, chocolate e infância



Eu me lembro de cada páscoa na minha infância com um carinho especial. Depois que cresci, elas ficaram meio chatas, e esse ano ela volta a ter graça pra mim.
Ver renascer dentro de mim uma criança que já existiu do lado de fora é muito gostoso. Isso porque agora tem Diogo em casa. Mesmo que ele ainda não entenda nada disso, renovam-se as esperanças de uma infância ingênua e deliciosa que ainda acredita em fábulas de coelhos saltadores que trazem ovos de chocolate em troca de bom comportamento.

Quando eu era criança, minha mãe era toda criatividade. Sei que vai voltar a ser com o Diogo, e que vou rever minha carinha no rosto lindo dele.

Meus pais compravam os ovos para mim e para o meu irmão e escondiam por meses (naquela épocar de inflação a coisa era feia, e tinha que comprar logo pro preço não subir demais). Acho que meu pai ganhava uns no trabalho também. Aí, na manhã de domingo, a gente acordava com a missão de ir à caça pelos ovos escondidos. Era uma delícia! Não tinha nem café da manhã!
Um ano, teve uma propaganda da Xuxa mordendo com vontade uma casca de chocolate gigante. E eu não aguentava mais esperar para fazer igual. Abri uns 2 ovos e fiz isso nas 4 cascas! rs

Dona Yara (mãe minha minha minha) fazia até patinhas brancas... ô dó de mim, que achava que tinha coelho pisando em farinha e espalhando sujeira na casa toda! rs

Uma determinada páscoa, não seio se foi falta de grana ou excesso de criatividade, não teve ovo. Foram vários bombons e barrinhas colocados no terracinho da casa, atrás de um vaso de planta. E eu juro que vi o coelho correndo sobre o muro, indo pra casa da vizinha.
Teve foto vestida de coelha na escola, teve festa de páscoa, e teve almoço em família.
Já passei a Páscoa longe de casa, e ela já foi só um feriado prolongado para viajar com o namorado e fugir da bagunça que fica na Baixada Santista.

Mas agora volta a ser um momento de comemoração e de pura diversão com o filho e a família - que só faz crescer, feito um bando de coelhos (que Dona Cegonha não me ouça).

Mal posso esperar pelas próximas páscoas, com ovos de casca pintada cheios de confeitinhos e pezinhos de farinha espalhados pela casa (e Trudy que não ouse lamber a farinha, que o bicho pega!!! rs).

Feliz Páscoa. E um grande feriado!


quarta-feira, 30 de março de 2011

2 meses, quase 5 quilos de pessoa e uma tonelada de amor

(Parece um bebê de 2 meses???)

Sei que tô devendo a postagem sobre o parto, mas tá um parto normal e sem anestesia (ou no meu caso, uma cesárea muito da nervosa) para sair. Então eu prefiro tocar o blog e postar sobre esses dois meses de Diogo do lado de cá.


Eu desejei cada dedinho, cada pedacinho de unha, cada fio de cabelo, cada fralda suja, cada noite em claro. Cada grama desse corpinho foi desejado e amado por 39 semanas - e antes delas também. Eu já o amava antes de fazê-lo, e mais ainda antes dele nascer. Agora, o que existe, não pode ser chamado mais de amor. É maternidade.


Em dois meses muita coisa aconteceu. Ele mamou no peito todos os dias, no mínimo 7 vezes. Ele já pesa quase 5 quilos, e mede mais de 55cm. Aumentou meu trabalho doméstico como se morasse aqui um batalhão. É roupa pra lavar, roupa pra passar, banho de 2 a 3 vezes ao dia, mamar, dar colo... e fazer todo o resto de olho nele.


Ser mãe não é uma tarefa nada fácil, e às vezes eu penso se eu tenho mesmo capacidade de suportar toda essa responsabilidade, e se sou digna da confiança que Deus teve em me mandar um de seus anjos para eu cuidar. E mais: se sou capaz de corresponder a toda e qualquer necessidade de amor, cuidados e necessidades físicas que meu filho tenha.


Mas quando ele chora, e cala só de me ver; ou quando ele chora no colo de outro e silencia nos meus braços; ou quando ele treme e se aquece nos meus braços; quando se assusta e sente segurança comigo, eu sei que sou a pessoa mais importante na vida dele, e sei que não há ninguém mais capaz de suprir tudo que ele precisar.


Nesses dois meses eu:


- dei seu primeiro banho em casa, sem ninguém ajudando ou dando palpites;


- aprendi a dar banho de um jeito que ele não chore - ou chore menos;


- descobri que ele não gosta de secar a cabeça, então a deixo por último, depois de vestir;


- percebi que suas mãos cresceram, e com elas, a quantidade de "poeirinha" de roupa que fica entre os dedinhos;


- vi que também aumentaram as dobrinhas, e por isso a água da banheira agora fica cheia de poeirinha e bolotinhas de algodão das roupas e fraldas boiando;


- notei que os pés já não cabem nas meias de recém nascido, mas ainda estão pequenos para os sapatos;


- entendi que, para ele, arrotar é uma coisa necessária antes, durante e depois de cada mamada;


- tentei dar a chupeta indicada pela pediatra, mas ele tem ânsia de vômito e só gosta da MAM;


- mal consigo cortar suas unhas pois ele é forte o suficiente para arrancar as mãos das minhas, e por causa disso já tirei dois bifinhos de seus dedinhos - ai, que dó!!!;


- não consegui convencer o marido de que bebê não quebra e ele pode aprender a trocar fralda e dar banho para me ajudar - ele não quer nem tentar;


- ouvi vários agu, abu, aga, aca, uuuuu e éééééé, e ando ouvindo alguns sons de "m", "p" e "b";


- encontrei um jeito de fazê-lo ser mais paciente na troca de fraldas (caixinha de música salva minha vida) e de esperar eu fazer xixi e beber água antes de ele mamar (sento ele na cama, apoiado por mil travesseiros, de frente pra tv e ele fica rindo);


- notei que seus sorrisos passaram de "automáticos" para "verdadeiros", e que a pessoa que mais arranca sorrisos e sons de risada de sua boca é a mamãe aqui!!!;


- dei bronca nas pessoas que seguram bebê balançando sem necessidade poque não o quero viciado em balanço, mas me pego eu mesma fazendo pequenos balanços com ele sobre meu corpo quando está difícil de adormecer ou acalmar (mas eu sou a mãe, eu posso!!!);


- vi meu pequeno me procurar pelos ambientes da casa, me encontrar e fixar os olhos em minhas mamas;


- ri muito com suas caras e bocas, seu sorriso no meio das mamadas, com seu jeito elétrico e com suas reações a movimentos mais bruscos como o levantar o bebê conforto;


- sorri com meu marido e minha mãe, ao perceber que ele os reconhece e os ama muito;


- passei raiva com seus choros de manha, com sua falta de paciência, com o meu sono atrasado, com sua mania de puxar os próprios cabelos e gritar de dor, com sua ncessidade excessiva de atenção;


- babei no jeitinho como ele acha a chupeta caída ao lado de sua boca e volta a dormir;


- me assustei com seus engasgos e reagi super rápido para que nada acontecesse, e depois desabei de desespero;


- passei noites em claro com suas cólicas de gases e me assustei com o barulho que ele faz quando solta puns;


- dormi péssimas noites com ele na minha cama, piores noites com ele no berço, e noites incríveis com ele dormindo por mais de 5 horas seguidas


- mesmo que a cada meia hora meus olhos abram em sobressaltos por causa de seus suspiros e mini-roncos ultra-sonoros;


- consegui em tempo recorde tirar a mamada da madrugada, mesmo que eu não tenha muito mérito nessa conquista, porque eu resisti à tentação de acordá-lo para mamar;


- me preocupei com a falta de cocô por um ou dois dias, e me espantei com a quantidade que saiu nos dias que seguiram;


- tirei centenas de fotos, postei várias na internet, e guardei muitas para mim;


- fui feliz, apesar do período de baby blues, porque, de verdade, esses olhos redondos, esses cabelos cheios e compridos, essas bochechas gordinhas, o nariz empinado e a boquinha de coração fazem um conjunto perfeito, harmônico e saudável, e meu filho é perfeito dentro de todos os defeitos e manias que ele vai desenvolver durante sua vida, e que ainda assim, ele vai ser a pessoa mais amada na face da terra.


Sou feliz sim, porque não tem nada melhor que poder suprir todas as necessidades de um pequeno sem precisar de muitos artifícios.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

De grávida a mãe - O parto, a icterícia e a alta médica

E um dia a gente acorda grávida e dorme mãe. Comigo foi assim...
Tem gente que só dorme mãe no dia seguinte, porque o parto vira a noite ou sei lá... não dormiu mesmo. Mas comigo durou uns dias até a chegada do Diogo. Na quarta, as contrações de treinamento passaram a ser doloridas e frequentes.

Na quinta, a frequência aumentou. Eram 6 em uma hora. Consulta no PS da maternidade, um dedo de dilatação, pressão levemente aumentada - a GO de plantão ligou pra minha médica, que pediu para eu voltar ao consultório dela no dia seguinte, ou ligar pra ela e ir para a maternidade caso as contrações aumentassem. Aumentaram, mas não era nada demais, dava para esperar. Já contei que sou resistente a dor? Pois é, eu sou. Tava doendo pra caramba, mal dava pra respirar durante as contrações, mas eu aguentava bem. Quinta de tarde fui ver um médico que foi indicado por uma enfermeira amiga. "Senti a cabeça dele!!!", comemorou o Dr.

E eu, feliz, fui receber orientações da médica espiritual que é guia da minha tia. "Não passa de sexta".

Sexta de manhã, lá fomos marido e eu na minha médica. Depois de ouvir o coração dele, que estava normal, e de fazer o toque, ela ligou o foco (aquela luz forte pra caracas) e colocou o espéculo (mais conhecido como bico de pato) para olhar o líquido amniótico, já que apesar da dilatação e das contrações o Diogo parecia alto demais. O líquido estava amarelando, o que poderia significar que o cordão estava enrolado no pescoço, dificultando a descida, ou que ele teria feito cocô. Ambos os casos, indicativos de cesárea, segundo ela. Se tinha que ser, que fosse.

E eu, que sonhava com um parto natural, sem anestesia, caminhando e entrando no banho, tive de aceitar o parto cirúrgico. Ela ligou na maternidade que escolhemos: 10 cesáreas marcadas para o dia, vários bebês já nascidos e um elevador (só tem um na maternidade) quebrado. A maca não teria como subir para os apartamentos. Logo, ficamos com a segunda opção.

Viemos em casa a fim de pegar roupas e documentos. Coloquei o bebê conforto no carro, peguei mala, máquinas fotográficas e pilhas extras. Separei as lembrancinhas, o livro e minha mãe veio para seguir conosco.

Tiramos nossa única foto juntas (pois é... a gravidez passou todinha e ela não tinha foto com a barriga) e ela fez uma foto da barriga circulada pela fita métrica. 117cm. Coitada da minha mãe, nem roupa tinha. O plano era ela ficar e deixar a casa em ordem. Mas lá fomos os 3, para voltar 4.

Eu, morrendo de fome e sede, mas não podia comer nem beber água por causa da cirurgia... vontade de fazer o número 2, mas não saía... tudo por causa do nervoso.

Contratamos um fotógrafo para registrar tudo no parto, já que não pode entrar com câmera no Centro Cirúrgico. Melhor assim, porque o Daniel não teria conseguido tirar uma única fotografia, já que estava tão ansioso e nervoso quanto eu - ou até mais.

Internei 11h. Ao meu lado, na sala de pré-parto, uma outra moça em trabalho de parto parecia desconsolada. Puxei assunto. Lá vinha mais um menino, Carlos Eduardo. A bolsa das águas dela tinha rompido à 1h da madrugada, e ela estava desde então esperando as contrações ficarem fortes. Segundo a técnica de enfermagem que nos atendia, ela precisava ficar com o útero "liso", mesmo que fosse para seguir para uma cesárea. Nunca ouvi falar disso, mas quem sou eu?

Por volta de 12h30 fui levada para o Centro Obstétrico, e minha colega de Pré-Parto ficou lá, coitada. Não sei se eu tremia mais de frio por causa do ar condicionado, se era medo ou hipoglicemia. Ou um misto dos 3.

Minha GO veio me abraçar para eu ficar parada pra anestesia. E conversava para me distrair. Mas eu, morrendo de medo, senti dor na aplicação e a bendita da anestesia pegou tão rápido que minhas pernas foram içadas para cima da mesa. Em pânico com aquele aparato todo, minha pressão subiu. Não pude ver nada do nascimento do meu filho. Só meu marido do meu lado, me dando apoio e cuidando para ver se tudo estava indo bem.

Às 12h58 tiraram ele de dentro de mim. Quando ele chorou minha médica falou que ele estava bem, eu percebi que ele seria levado para fora da sala e mandei o pai ir junto, para se certificar de que o bebê certo seria identificado, para ver se estava tudo bem e para garantir que voltasse para eu ver seu rosto.

Quando me mostraram aquela carinha, era um bebê redondinho e cheio de gordura. Sujinho sujinho, e muito cabeludo. Ele não chorava, miava. E eu beijei sua bochechinha gordinha (igual à que eu havia visto na ultrassonografia 4D) e só falava para ele: Não chora, filho... mamãe tá aqui, viu? Não chora, meu amor.

Perguntei seu tamanho, peso e apgar: 48cm, 3,120Kg e Apgar 8/9. Eu não quis saber se era perfeito. Uma pergunta que, dizem os médicos, toda mãe faz. O que me importava era que ele estava ali, fosse ele um bebê de cinco braços ou o que todos consideram "normal". Era MEU FILHO, e eu o amaria independente de qualquer "defeito".

Não posso mentir. Não senti aquele amor desesperador tomar meu peito, como relatam. Mas minha pressão baixou no momento em que o vi. E eu atribuo essa sensação a uma coisa só: o amor que eu deveria sentir já estava dentro de mim muito antes de eu saber que seu coração batia dentro do meu ventre. Eu sempre amei meu filho antes mesmo de concebê-lo. E quando soube que estava grávida, aí sim, esse amor que a maioria sente na hora do parto veio à tona. Eu já o amava desesperadamente antes mesmo de tê-lo do lado de fora.

E foi por isso que eu sempre tive tanto medo do parto cirúrgico. Temia optar por um ou outro e prejudicar meu filho. Ou a mim. E sabia que se fosse por opção minha, e algo de errado acontecesse, eu me culparia para sempre. Levaram meu bebê embora, e o Daniel foi tirado do centro obstétrico.

Fiquei sozinha de novo, com meus medos e minhas lágrimas de desespero. Só Deus sabe o quanto eu detesto cirurgias, cortes e anestesias. Pra mim, aquele era o pior momento da minha vida: não ter controle de NADA no meu corpo, na minha vida.

Fiquei até umas 15h esperando a anestesia passar e ter alguém para me levar para meu apartamento. De qualquer forma, só poderia vê-lo novamente depois de 6 horas de nascido. Ainda bem que minha mãe estava lá. Ela ficou de olho nele enquanto meu amor cuidava de todo o resto. Fui para o quarto exausta - porque descansar em um corredor de pós-parto não é nada "descansante" - e dormi.

Uma hora antes do esperado, ele chegou. Lindo, enrolado em mil cobertores, de cabelo de lado. Pedi para minha mãe levantar a cama, me dar meu filho e fiquei com ele nos braços. Desfiz o penteado. Reclamei do tanto de roupa que colocaram nele. E o achei um pouco amarelinho, mesmo minha mãe dizendo que não.

Meia hora depois a enfermeira veio ajudar a colocá-lo para mamar. De primeira, Diogo abocanhou o peito e sugou com toda força. Senti o leite descer e ouvi suas engolidas cheias. Aí sim a felicidade tomou conta de mim. Se eu não tivesse entrado em trabalho de parto, não teria tido todo aquele leite na hora. Não poderia amamentar meu bebê por um tempo. E aquilo para mim era o essencial. E daquele momento em diante meu sono nunca mais foi o mesmo.

Sábado recebemos algumas visitas. Meus sogros, cunhado e a noiva - que se tornou, naquela noite, sua esposa - e a filhinha dela vieram cedinho.

À tarde, vieram minha comadre (mãe do meu afilhado lindo de morrer) e o Eric, amigos para todas as horas. Mais tarde, veio a Dayanne, que é minha irmãzinha do coração. De noite, veio minha prima (a caçula da geração) Carol, Cida e Su, minha segunda família.

Domingo, minha médica foi às 8h da manhã me dar alta. Disse que eu estava ótima e elogiou o pequeno. Logo em seguida o pediatra chegou e avisou que meu filho estava com icterícia e que teria de fazer um exame de sangue - e que o resultado sairia em 2 horas. Ele foi levado e pedi ao Daniel que fosse junto. Ele não pode entrar no berçário para acompanhar o bebê, e não soube que durante a coleta o pequeno havia se remexido e sujado a roupa de sangue.

Demoraram um tempão para trazê-lo. Umas horas depois, a enfermeira voltou e avisou que teria de levá-lo de novo, que teria de fazer um outro exame e que o pediatra viria para conversar comigo.

Ela demorou tanto para trazer o Diogo de volta, que meu marido ficou preocupado do lado de fora do berçário e perguntou o que estava acontecendo. Elas só falaram "tá tudo bem, o pediatra já fala com vocês!". Ele ficou bravo e correu para o quarto. Me encontrou em prantos.

O pediatra, super "delicado", me informou que talvez precisasse internar o Diogo para tomar banho de luz, porque a icterícia tinha dado limítrofe, e se o coombs direto desse positivo (sinal de que ele tinha anticorpos contra meu Rh), ia ficar por mais 2 dias lá. Eu pirei.

Eu chorava copiosamente, e rezava para todos os santos e deuses que eu conhecia.

Pedia ao Dr. Bezerra de Menezes que interviesse, Nossa Senhora do Bom Parto, Santa Sarah Kahli - padroeira das parturientes e das parteiras -, fiz promessa... Não podia imaginar ficar em casa seu meu filho.

O marido ligou, então, pra minha mãe... ela saiu correndo de casa e foi para lá me abraçar. Só uma mãe entende a outra, e não adiantava o colo do marido naquela hora.

Às 17h fomos liberados, com duas condições: 1 - banho de sol de manhã e de tarde; 2 - levar ao pediatra no mais tardar terça-feira.

Chegamos em casa e os padrinhos do Diogo o esperavam ansiosos na nossa porta. Contamos tudo o que aconteceu, e eles se embebedaram com a beleza do pequeno.

Segunda de manhã, banho de sol, marido na rua o dia todo para resolver coisas burocráticas (certidão de nascimento, autorização para consulta e exames...) e minha mãe ficou cuidando de nós. Pela primeira vez desde sexta eu dormi. Tão pesado que só acordei quando Diogão abriu o bocão e gritou!

Fomos à pediatra na terça, e ela manteve o banho de sol, pediu para voltarmos semanalmente no primeiro mês para acompanhar a icterícia e crescimento+ganho de peso do pequeno. Logo ele aumentou de peso, sarou da icterícia e foi ficando um homenzinho.

Hoje, ele é muito saudável, dorme de barriga pra baixo e se arrasta pelo berço, que fica colado na minha cama, e eu continuo não dormindo. Não porque ele chore ou porque mame demais. Muito pelo contrário. É porque ele dorme tão pesado que eu checo, a cada 15 minutos, se ele está respirando. Coisa de mãe...

E aí sabe aquele ditadinho clichê: "No fim, tudo acaba bem; se não acabou bem, é porque ainda não chegou ao fim"? Ele se encaixa direitinho aqui.

Seguem fotos de alguns momentos que cito nesse texto.


117cm de circunferência abdominal!!!

Minha mãe, na única foto com a barriga

É nessa hora que o sapo vira príncipe. Primeiro beijo.

Primeira mamada... as tetinhas michurucas ainda!!!

Finalmente levando meu pequenininho pra casa.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A barriga e tudo o que ela traz

Aí a gente pega o positivo, faz a primeira ultrassonografia, vê o bebezico, ouve o coração batendo e fica toda feliz.
Aí cada passada pelo espelho, uma viradinha de perfil para ver se já aparece uma barriguinha.
O dia que a calça jeans fecha com dificuldade é, pela primeira vez na vida, comemorado. A barriga tá crescendo!!!
Aí os amigos perguntam se a barriga tá grande, todo mundo põe a mão, e começa o incômodo. Sério... não é legal todo mundo botando a mão na sua barriga! Num dia, sua barriga é só sua. No outro, é território livre.
E como junto com a barriga, crescem também peitos e bunda, a gente dá uma trégua pra pança... aliás, no começo, barriga de gravidez só é linda pra quem sabe que você tá grávida. Porque todo mundo te olha de lado, e te acha uma bebedora de chopp desvairada... ou que você esqueceu o Activia por 3 semanas, né? Ou pior! Que abandonou por livre e espontânea vontade os exercícios abdominais e encarou um rodízio de pizza daqueles!
Aí um belo dia, você senta, a barriga salta, e você se sente gorda.
Depois de um tempo, desiste de lutar contra a natureza. E a barriga começa a ter vida própria. Movimentos tomam conta do interior daquilo que antes era você.
Agora a certeza é absoluta: Dois corpos podem, sim, ocupar o mesmo lugar no espaço. Viu, professor de física?
E aí todo mundo quer sentir. Mas na boa? O bebê é seu e do pai. E só. E você só quer que ele sinta antes de mais ninguém. Mas como falar isso com delicadeza? Tem como?
O dia que o pai sente os movimentos do bebê parece mais emocionante do que quando ele viu o sexo do herdeiro. Se o cara nunca chorou na sua frente, pode acreditar, ele vai desmaiar!
E depois que os movimentos se tornam mais frequentes, é um tal de coloca a mão daqui, "fala comigo" dali... E como todo bebê bonzinho, ele pára e a mãe fala: é só colocar a mão que ele pára de mexer!
Aí um belo dia, o peso pesa! E as pernas começam a sentir. Mas, em compensação, você fica oficialmente grávida. Você entra no elevador, seguram a porta. Você entra no ônibus, te oferecem lugar (às vezes, não acostuma!). Você vai numa festa, oferecem refrigerante e suco, em vez de cerveja, vodka ou vinho. Essa é a parte chata! Não poder mesmo beber é um saco. Mas é pela saúde do pequeno... a gente faz mais esse sacrifício.
Sejamos sinceras... desse dia - oficialmente grávida - em diante, seu maridón não te acha mais "aquela" mulher maravilhosa... você não entra mais no espartilho, meu bem... a meia 7/8 só serve pra destacar a barriguitcha, e ele te abraça e a mão dele vai direto pra barriga... corta clima total! Portanto, sejamos claras, sexo mesmo mesmo, não rola... é amorzinho bacana e fofo. Você não vai mais, tão cedo, ser aquele mulherão que ele conheceu.
E aí a barriga se mexe sozinha... inteira... e você passa a morrer de rir.
E essa é a parte mais gostosa.
Até o dia que o bebê chuta seu estômago, ou cabeceia sua bexiga, ou enfia o pezinho na costela. Ai, como dói.
E então a barriga começa a pesar de verdade verdadeira. Dóem pernas, dói coluna, dói virilha, dói baixo abdomen... Acaba-se o sossego na hora de dormir, você não tem mais posição e faz xixi de 40 em 40 minutos.
E é desse dia em diante que o super desejo de que a barriga cresça se transforma em uma vontade louca de arrancar a protuberância e transformá-la em uma mochilinha que você tira nas horas que bem entender e lhe convier.
Você passa, então, a andar como os pais do Happy Feet (o pinguim dançarino). Desengonçadamente linda! E não tem mais sapatos que lhe deixem confortável que descalçá-los.
Mas ainda existem os bons momentos com a barriga. Você chama uma atenção doida, e todo mundo pergunta pra quando é o bebê. Se é menino ou menina. Se já tem nome (oi? Alguém ignora esse passo tão importante?). De onde veio o nome. Se você tá ansiosa, se já terminou tudo... sempre as mesmas perguntas. E você sempre responde com um sorriso no rosto. Porque grávida é uma coisa que todo mundo ama. Momento lindo, né?
E você sabe que, nesse mês e pouco que falta pra grande chegada que vai mudar sua vida pra sempre, sua barriga ainda vai crescer.
E que no dia que de lá de dentro sair esse serzinho que você vai amar mais que à batida do seu coração ou à sua respiração, você vai pedir a Deus que sua barriga fique cheia de novo, e os movimentos voltem pra lá. Porque lá, você sabia, só você podia alimentar, acalentar e carregar seu pequeno.
Acho que é por isso que, apesar dos pesares, tanta gente quer engravidar de novo.
Passar por tudo de novo... sentir de novo essas mudanças delicadas - e outras nem tanto - que acontecem com o corpo e o guarda-roupas... E viver de novo o milagre que é ser mãe.
Nada como ser mãe!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Por que (cacildes) a gente inventa essa moda de ser mãe?

E aí a gente pensa um dia que quer ser mãe. Na verdade, acho que a gente não pensa nada.
Tem um trocinho dentro do corpo da gente, que nenhuma ressonância ou tomografia pode localizar, que chama relógio biológico... um dia ele liga o despertador e a gente não acha o botão de desliga.
Daí que aos 24, 25 anos o meu despertador tocou. E eu andava por aí com o amor (namorado na época, hoje marido) falando: quero um nenê desse... E ele ria, e falava para esperar.
Um dia eu falei: se eu não tiver o primeiro filho antes dos 30, não vou ter mais. Não quero ser avó dos meus filhos.
Acho que aí o despertador dele tocou também.
Ano passado juntamos os trapos e passamos a morar na mesma casa. E programamos para maio desse ano a encomenda à cegonha. Cegonha boa que é, não falha nunca. Em maio estávamos grávidos.
Mas voltando aos tempos antigos (meus) e aos pensamentos que até hoje me ocorrem quando eu assisto ao noticiário, eu acho meio doideira essa coisa de querer ter filhos.
Ter mesmo... carregar na barriga, parir, dar o peito, ensinar...
É ou não é doideira?
O mundo cada vez mais caótico, cada vez mais violento e tal... e eu nunca tinha pensado numa resposta para o que nos faz querer, ainda assim, um (ou mais) sangue do nosso sangue.
Aí hoje eu conheci um blog delicioso... e num post, Giovana conta como concluiu que teria quantos filhos pudesse.
E então eu entendi, que mesmo que não houvesse explicação expressa, eu tinha chegado à mesma conclusão.
Se o mundo tá caótico, é porque as pessoas erradas têm mais filhos que as pessoas certas.
Casais que não se respeitam, pais que não sabem educar, pais que não criam - abandonam seus filhos a Deus dará - e tantas outras influências familiares negativas são maiores que as boas.
Então, seguindo o pensamento que eu tenho - de que filhos são um elo que une marido e mulher pro resto da vida, mesmo que o casamento não dure, mesmo que o casamento expresso em papel e igreja não exista, mesmo que pai e mãe não sejam nada um do outro -, bons casais só podem gerar bons filhos. E quando a gente vê algum erro dentro do relacionamento dos nossos pais, a gente faz o possível para não errar igual.
E aí eu olho pro amor... ontem, ao completar 8 anos juntos, nos abraçamos no sofá e ficamos nos olhando. Cada um com seu pensamento looooonge, e eu pensei: caramba... um dia a gente se olha, se gosta, e como num piscar de olhos vamos ser pais. Pais do mesmo filho... um amor só, um só resultado.
E será que foi por isso que o relógio biológico ativou? Acho que sim.
Se o meu amor não tivesse aparecido, eu não teria tido esse desejo tão forte. Mais do que ser mãe, eu quis ser mãe de um filho dele.
Ele que pensa como eu em quase tudo. Ele que acha tão importante cuidar do planeta, cuidar das pessoas, cuidar dos animais. Gostamos das mesmas coisas, desgostamos igual.
Porque com ele eu sei que o filho que vier será bom. Será educado. Será cuidado. Será amado. Será um bom cidadão. E cuidará do mundo que nós cuidamos por ele.